TEI - Transtorno Explosivo Intermitente

Penha Frassi

11/26/20252 min read

O Transtorno Explosivo Intermitente (TEI) é classificado como um transtorno do controle dos impulsos caracterizado por episódios recorrentes de agressividade desproporcional em relação aos estímulos que os precipitam, geralmente acompanhados por sensação subjetiva de perda de controle (American Psychiatric Association, 2013, p. 462). Esses episódios não são atribuíveis a outras condições psiquiátricas, ao uso de substâncias ou a alterações médicas, configurando uma expressão direta de desregulação emocional.

A literatura aponta que fatores genéticos, neurobiológicos e ambientais interagem no desenvolvimento do TEI. Disfunções nos sistemas serotoninérgicos, bem como hiper-reatividade da amígdala diante de estímulos emocionais, têm sido amplamente documentadas em indivíduos diagnosticados com o transtorno (Coccaro, 2011, p. 57). Paralelamente, experiências adversas na infância, exposição a ambientes violentos e padrões familiares de agressividade constituem importantes fatores de risco (Fava & Tesi, 2015, p. 133).

Do ponto de vista clínico, observa-se que o início do TEI tende a ocorrer na adolescência, podendo prolongar-se para a vida adulta na ausência de intervenção adequada. Os prejuízos funcionais decorrentes são significativos, incluindo dificuldades interpessoais, instabilidade laboral e comprometimento emocional (Kessler et al., 2006, p. 740). Assim, a avaliação diagnóstica deve considerar cuidadosamente a frequência, intensidade e desproporcionalidade das explosões de raiva em relação aos eventos precipitantes.

O tratamento do TEI envolve abordagens combinadas, integrando psicoterapia e farmacoterapia. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) destaca-se pela eficácia na modulação da impulsividade e na reestruturação de pensamentos disfuncionais que precedem os episódios agressivos (McCloskey & Berman, 2003, p. 94). Em paralelo, estabilizadores de humor e inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) constituem opções farmacológicas com evidência de eficácia na regulação emocional (Coccaro & McCloskey, 2019, p. 211).

Em síntese, o reconhecimento do TEI como um transtorno tratável é fundamental para a redução do estigma e para a promoção de acesso a cuidados especializados. A identificação precoce dos sintomas e o encaminhamento para profissionais qualificados são etapas centrais para reduzir a frequência e a intensidade dos episódios agressivos, contribuindo para melhor qualidade de vida dos indivíduos afetados (Silva & Prado, 2020, p. 28).

Referências Bibliográficas

American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.

Coccaro, E. F. Intermittent Explosive Disorder: Etiology, Assessment, and Treatment. New York: Oxford University Press, 2011.

Coccaro, E. F.; McCloskey, M. S. Aggression: Psychiatric Assessment and Treatment. 2. ed. New York: Guilford Press, 2019.

Fava, M.; Tesi, C. Distúrbios do Controle dos Impulsos: Aspectos Clínicos e Neurobiológicos. São Paulo: Hogrefe, 2015.

Kessler, R. C. et al. "The Prevalence and Correlates of Intermittent Explosive Disorder in the National Comorbidity Survey Replication". Archives of General Psychiatry, v. 63, n. 6, p. 669–678, 2006.

McCloskey, M. S.; Berman, M. E. Cognitive-Behavioral Approaches to Anger and Aggression. New York: Springer, 2003.

Silva, R. P.; Prado, L. M. Transtornos do Impulso: Avaliação e Manejo Clínico. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020.