Gaslighting
Penha Frassi
9/25/20253 min read


Na literatura psicológica, comportamentos como gaslighting, são compreendidos como padrões disfuncionais de interação que comprometem a saúde emocional e relacional. Estudos clássicos e contemporâneos de autores como Robin Stern, Anna Freud, John Gottman, Paul Watzlawick e Daniel Goleman, demonstram que tais práticas podem levar à perda de autoestima, à insegurança psicológica e à dificuldade de regulação emocional. A identificação desses sinais é fundamental para a compreensão das dinâmicas abusivas e para o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento que promovam vínculos mais saudáveis e resilientes.
Nos relacionamentos interpessoais, sejam eles afetivos, familiares ou profissionais, certos padrões de comportamento podem se tornar prejudiciais e até abusivos. A psicologia comportamental e clínica tem estudado como mecanismos como manipulação, distorção da realidade, críticas recorrentes e silêncio hostil afetam a saúde emocional e a qualidade das interações.
Gaslighting Consiste em manipular a percepção do outro, fazendo-o duvidar da própria memória ou sanidade. Robin Stern, em The Gaslight Effect (2007), mostra como esse comportamento fragiliza a autoconfiança e promove dependência emocional. Projeção Definida por Freud e aprofundada por Anna Freud em O Ego e os Mecanismos de Defesa (1936), é o ato de atribuir ao outro sentimentos ou intenções que a pessoa não reconhece em si mesma. Gera distorções constantes na relação e alimenta conflitos. Inversão de culpa Ocorre quando a responsabilidade por comportamentos nocivos é transferida para a vítima.
Segundo Paul Watzlawick, em A Pragmatics of Human Communication (1967), esse padrão impede que conflitos sejam resolvidos, pois mantém um ciclo de negação e acusação. Críticas constantes Descritas por John Gottman em The Seven Principles for Making Marriage Work (1999) como um dos maiores preditores do desgaste relacional, envolvem ataques generalizados à identidade do outro (“você sempre”, “você nunca”), minando sua autoestima.
Humor cruel: O uso de sarcasmo e piadas para rebaixar ou humilhar cria insegurança e ressentimento. Para Gottman, esse comportamento é sinal de desprezo, um dos fatores mais prejudiciais para vínculos afetivos.
Silêncio (tratamento do gelo): A recusa em dialogar ou a exclusão emocional, também chamada de stonewalling, é interpretada por Gottman como fechamento defensivo. Esse bloqueio gera distanciamento e aumenta o sofrimento do parceiro ignorado.
Explosões emocionais: Graves acessos de raiva e perda de controle são associados, por Daniel Goleman em Inteligência Emocional (1995), à baixa regulação emocional. Criam um ambiente de medo e insegurança, dificultando a expressão saudável de sentimentos.
Vitimismo Caracteriza-se pela insistência em se colocar como injustiçado ou inocente, desviando responsabilidades. Pesquisas recentes, como as de Gabay et al. (2020), demonstram que esse padrão prejudica a colaboração e reforça ciclos de conflito. Esses comportamentos, quando recorrentes, configuram padrões abusivos ou relacionais disfuncionais.
A vítima pode sentir confusão, perda de autoestima e até sintomas de ansiedade e depressão. A psicologia clínica sugere caminhos para romper esses ciclos: buscar apoio de um psicólogo, fortalecer redes de suporte (amigos, familiares de confiança), estabelecer limites claros e, em casos graves, procurar serviços de proteção e grupos de apoio. Reconhecer os sinais é o primeiro passo para recuperar a autonomia e reconstruir relações mais saudáveis.
A maioria dos especialistas concorda que a recuperação de abuso emocional grave e gaslighting frequentemente requer intervenção profissional. A distorção da realidade vivenciada em relacionamentos de gaslighting pode ser tão profunda que os indivíduos precisam de apoio externo para distinguir entre percepções manipuladas e a realidade precisa.
A terapia profissional proporciona:
- Validação externa de suas experiências;
-Ferramentas para reconstruir a autoconfiança e a segurança;
-Estratégias para reconhecer e evitar manipulações futuras;
-Apoio para lidar com quaisquer condições de saúde mental concomitantes.
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